Fevereiro Laranja: Hospital Ibiapaba CEBAMS esclarece dúvidas sobre a leucemia

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Durante o mês de fevereiro, a campanha Fevereiro Laranja promove a conscientização sobre a leucemia e reforça a importância da doação de medula óssea. O programa Contato Direto, da Rádio Sucesso, recebeu nesta quinta-feira (26/02) o médico hematologista do Hospital Ibiapaba CEBAMS, Dr. Marco Túlio Dias, para esclarecer dúvidas sobre o tema.

Confira a entrevista completa:

Quais os principais sinais e sintomas iniciais da leucemia?

Dr. Marco Túlio Dias: Eu acho importante a gente frisar primeiro que nem toda leucemia é igual. Quando a gente pergunta sinais de leucemia, tem leucemias que são mais agressivas, tem leucemias que não apresentam sinais nenhum, de nenhum prelúdio, que é a palavra que a gente usa. Então aparece do nada, literalmente em alguns casos, desde sinais de sangramento, infecções ou até mesmo manchas pelo corpo, até um hemograma que mostrou só as células alteradas ali em grande número, 30 mil leucócitos, alguma coisa nesse sentido. Então quando a gente vai falar sobre essas duas, as que apresentam mais sinais e sintomas são as agudas e as crônicas são as que normalmente só alteram o hemograma e nem provocam muito sintoma. Lógico que aqui é uma generalização só pra gente poder entender as divisões.

O que causa a leucemia?

Dr. Marco Túlio Dias: A leucemia é um tipo de câncer que vem da fábrica do sangue, então com o tipo de câncer ele é provocado por uma mutação genética que são variadas, vários tipos de mutações diferentes que podem acontecer e aí vem de cada tipo, mas depois dessa mutação aquela célula começa a se multiplicar de forma desordenada, sem freio, e essas multiplicações podem atacar os órgãos daquela pessoa, afetar o hemograma dela, deixar ela muito pior, mais cansada, por isso que pode provocar esses sintomas que a gente acabou de citar.

Há formas de prevenção?

Dr. Marco Túlio Dias: Eu acho que, como todo autocuidado, tem como a gente prevenir as doenças tentando fazer exercícios físicos, boas alimentações, porém mutação genética não tem muito motivo claro do porquê que acontece. Então por mais que a gente se cuide, pode ser que a gente seja “premiado” com uma leucemia, né, que infelizmente pode acontecer com qualquer um. Inclusive temos leucemias que acontecem em crianças, que nunca fumaram, nunca beberam e mesmo assim pode ter aqueles tipos de mutações específicas. Portanto, o autocuidado é importante, mas não pode prevenir totalmente de que você seja um desses escolhidos, infelizmente.

Por que é importante diferenciar os tipos de leucemia?

Dr. Marco Túlio Dias: Os tipos vêm porque os tratamentos dependem dos tipos. A gente fala difícil, a gente coloca nomes difíceis para a população entender aquelas doenças, mas na verdade é que os nomes guiam os nossos tratamentos. Então quando a gente fala leucemia mieloide crônica é um tratamento, quando a gente fala leucemia linfóide crônica ou aguda são outros tratamentos. Então os nomes e os tipos são para coordenar que tipo de doença é pra gente dar alternativa de melhora, de tratamento, de controle e de possíveis curas de acordo com cada tipo. Então é por isso que tem vários tipos diferentes.

Quais são as opções de tratamento disponíveis atualmente?

Dr. Marco Túlio Dias: As opções de tratamento vão depender de qual tipo de leucemia eu tenho. Normalmente a gente deixa as mais agressivas com tratamentos venosos, que incluem até transplante de medula, dependendo de disponibilidade de doadores, inclusive um chamado aqui para todo mundo ser doador de medula. Agora, se a gente tem aquelas doenças mais crônicas, que são mais tranquilas, mesmo que são incuráveis, mas tem um bom controle e a pessoa vive normalmente, a gente não necessariamente vai ter um tratamento agressivo. Pode ser um comprimido ao dia que a pessoa melhora aquele hemograma ou melhora todos os sintomas que ela tinha antes. Então a gente precisa saber qual tipo a gente está falando para eu detalhar melhor qual tipo de tratamento a gente vai fornecer.

A leucemia tem cura?

Dr. Marco Túlio Dias: A gente sempre quer objetivar a cura, nem sempre a gente atinge ela em todos os tipos de leucemia, mas todas elas têm tipos de controle, né? Quando a gente vai falar, por exemplo, sobre as leucemias crônicas, por mais que elas não se curem, a gente pode usar um remédio e a pessoa tem uma expectativa de vida normal como todo o resto da população, usando um remédio ao dia, algo bem mais tranquilo de ser manejado. Agora quando a gente fala das mais agressivas, a cura vai depender da resposta daquela pessoa, se ela vai conseguir ter doador para transplantar ou não, se as mutações que a gente pode adicionar medicações estão presentes ou não, então as variáveis são muitas para a gente prometer cura. A gente promete que a gente vai estar do lado daquela pessoa e fazer o melhor controle possível daquela doença, independente se ela curará ou não.

Quais avanços recentes a medicina tem alcançado no tratamento?

Dr. Marco Túlio Dias: A medicina ganhou muito com a genética. A genética tem traduzido para nós quais as mutações são as mais responsáveis por essas multiplicações celulares. Quanto mais a gente entende, mais a gente consegue direcionar um alvo específico durante a medicação. Então a gente tem evoluído nisso, tanto nas crônicas quanto nas agudas, para a gente poder tratar direcionado para aquele tipo específico da célula. Os avanços mais recentes são que, desde aquelas mais agressivas até as mais tranquilas, têm medicações direcionadas. Mas infelizmente essas medicações ainda não são tão disponíveis assim. A gente precisa lutar para que as pessoas tenham mais acesso e mais disponibilidade dessas medicações, e também que elas respondam cada vez melhor com menos toxicidade, que é o nosso objetivo.

O que o novo Centro Oncológico do Hospital Ibiapaba CEBAMS proporciona aos pacientes diagnosticados com leucemia?

Dr. Marco Túlio Dias: A gente agora tem uma nova instalação para trabalhar da mesma forma que a gente trabalhava antes, mas com muito mais conforto. O que eu consigo dizer é que realmente para os pacientes e para nós, médicos, ficou bem melhor a gente estar instalado num local assim de qualidade como a gente já está agora. Não tem nem como falar a honra de estar nessa equipe. Eu já fui aluno do Ibiapaba, fui interno, residente e agora estou voltando como profissional para estar junto nessa equipe enquanto a gente está construindo novos espaços, expandindo o número de atendimentos e construindo muito mais cuidado para a população. Eu acho que é isso que é o foco. Acho que o Centro Oncológico vem para a gente expandir o cuidado como já era de recurso humano, agora a gente tem mais estrutura física para poder deixar todo mundo mais confortável. Acho que isso faz diferença para quem está enfrentando os dias mais difíceis que já enfrentaram. Faz muita diferença para o paciente e pra nós, médicos, saber que o paciente está sendo melhor cuidado é um conforto absurdo.

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